Crítica: Nada Ortodoxa

Quinta-feira, 9 de abril de 2020                                                                                                                    Texto: Patrícia Piquiá

 

A minissérie de drama germano-americana é baseada em fatos reais contados no livro Unorthodox: The Scandalous Rejection of My Hasidic Roots de Deborah Feldman, que deixou o movimento Satmar, uma comunidade hassídica na cidade de Nova York.

 

A série “Nada Ortodoxa” d.C. - Lídia Schinor Dutra - Medium

 

A minissérie de 4 capítulos começa contando como a judia de 19 anos chamada Esty (Shira Haas) foge de seu casamento arranjado e da comunidade ultraortodoxa em Williamsburg, Brooklyn.

 

A seita judaica hassídica de língua iídiche fundada no Brooklyn por sobreviventes do Holocausto, após a Segunda Guerra Mundial, estava fundamentada na crença de que o genocídio de Hitler foi o castigo de Deus pela assimilação dos judeus europeus. A fim de evitar novas tragédias, o seguidores são ensinados de que os judeus devem viver separados da sociedade e obedecer às regras religiosas muito rígidas e conservadoras.

 

Nada Ortodoxa: Série sobre judia em fuga de comunidade radical ...

 

Esty foge para Berlim, onde mora sua mãe distante, que também abandonou a seita quando era mais nova. Esty tenta navegar entre uma vida secular e ter uma bolsa de estudos para cursar um conservatório de música e se instalar de vez na Alemanha. O marido de Esty, Yanky (Amit Rahav), descobre o desaparecimento da esposa e que ela está grávida, fato que ela não o havia contado antes do desaparecimento. Yanky viaja para Berlim com o primo, por ordem do rabino, para tentar encontrá-la e trazê-la de volta a Williamsburg a todo custo.

 

A partir de flashbacks the Esty entendemos todos os motivos que a levaram a tomar a decisão de fugir do casamento infeliz e da comunidade opressora. A jovem judia desde cedo teve seus desejos reprimidos, não podia estudar piano que amava e também não podia ir a outros lugares fora da comunidade.  O enredo vai nos mostrando como Esty não se encaixa naquele lugar, com padrões rígidos demais vão muito contra as liberdades individuais em especial das mulheres. A minissérie fala de fundamentalismo religioso, amor próprio, livre arbítrio e auto aceitação. Eu recomendo muito é emocionante a jornada de libertação e autoconhecimento da judia Esty e a atriz israelense Shira Haas tem uma atuação emocionante e arrebatadora.

 

Alguns eventos da minissérie se diferem do livro autobiográfico de Deborah Feldman, ma no geral a jornada de ambas é muito parecida. Além da minissérie há também um documentário de uns 22 minutos contando sobre os bastidores da produção que também recomendo ver depois dos 4 episódios da minissérie.

 

A minissérie estreou dia 26 de março na Netflix Brasil.

 

Nota: 3,5 / 5,0