Crítica: O Poço

Domingo, 29 de março de 2020                                                                                                                    Texto: Patrícia Piquiá

 

O filme espanhol original Netflix é um suspense de ficção científica estrelado por Iván Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan como Imoguiri, Emilio Buale e Alexandra Masangkay.

 

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O longa começa mostrando Goreng (Iván Massagué) um homem que acorda em uma cela marcada com o número 48 e que tem um enorme buraco ao centro. Seu companheiro de cela, Trimagasi (Zorion Eguileor) explica que estão em uma prisão tipo torre em que os alimentos são entregues através de uma plataforma que viaja de cima para baixo, em curto tempo, através daquele buraco. Os que estão nos níveis inferiores somente podem comer o que os dos níveis superiores lhes deixam. E eles não podem guardar nenhuma comida, pois cada cela será aquecida ou esfriada de maneira mortal se os prisioneiros tentarem fazer isso. Cada mês, os prisioneiros são transferido a um novo nível, que pode ser acima ou abaixo do nível do mês anterior.

 

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Ao longo do tempo, descobrimos que Goreng se ofereceu para entrar nessa prisão, em troca de um título homologado, mas que Trimagasi está preso por ter matado uma pessoa.  Além de Goren e Trimagasi, conhecemos a prisioneira Miharu (Alexandra Masangkay), que um dia aparece no meio da plataforma de comida, toda ensanguentada e Trimagasi conta a Goreng que ela está em busca de seu filho que sumiu. Goreng fica fascinado por ela.

 

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Quando os dois companheiros de cela saem do andar 48 e descem muito ao nível 171, as coisas começam a complicar ainda mais. E a luta por sobrevivência se torna brutal. A luta é entre a mente e o corpo. Não matar e morrer de fome, mas com a consciência tranquila, ou matar pra sobreviver, comentendo um crime, o que é perturbador e forte.

 

A forma como as pessoas comem a comida, desesperadas e os restos de comidas deixados dos níveis superiores em que alguns cospem ou defecam na plataforma de alimentos, para que os demais não possam comer e o canibalismo que ocorre quando não há mais comida, muitas vezes nos enojam muito, eu tive muita ânsia de vomito confesso. Mas a metáfora acerca do consumismo, do capitalismo e da luta de classes para que se consiga redenção é fantástica.

 

Sem spoilers, o final também é aberto e levando a várias interpretações, mas no geral, foca na questão da empatia, pois como Goreng diz várias vezes, se os dos níveis superiores comecem apenas o necessário, sobraria comida para todos os níveis, mas para isso precisa que todos façam, o que não ocorre, por isso a barbárie toma de conta e só a união e a consciência coletiva pode salvar a todos. Sem mais, recomendo, só segurar o estômago no início, pois a mim me deu muita ânsia, mas no final, vale a pena, a alegoria do poço pra mim foi uma grande sacada para descrever o sistema socioeconômico atual.

 

O filme estreou dia 20 de março na Netflix.

 

Nota: 3,5 / 5,0